Uma Breve História do Grito dos Excluídos e Excluídas
GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS
A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR
COMO SURGIU? COMO SE CONSTRÓI?
A proposta do Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu em 1994, a partir do processo da 2ª Semana Social Brasileira, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), cujo tema era Brasil, alternativas e protagonistas, inspirada na Campanha da Fraternidade de 1995, com o lema: A fraternidade e os excluídos.
O primeiro Grito dos Excluídos/as foi realizado em 7 de setembro de 1995, tendo como lema A vida em primeiro lugar, e ecoou em 170 localidades.
Mais do que uma articulação, o Grito é um processo, é uma manifestação popular carregada de simbolismo, que integra pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos e excluídas. Ele brota do chão, é ecumênico e vivido na prática das lutas populares por direitos e por vida digna para todas e todos.
A proposta não só questiona os padrões de independência do povo brasileiro, mas ajuda na reflexão para um Brasil que se quer cada vez melhor e mais justo para todos os cidadãos e cidadãs. Assim, é um espaço aberto para denúncias sobre as mais variadas formas de exclusão.
MARCAS DO GRITO
A Criatividade, a Metodologia e o Protagonismo dos Excluídos e Excluídas são marcas do Grito, que privilegia a participação ampla, aberta e plural. Os mais diferentes atores e sujeitos sociais se unem numa causa comum, sem deixar de lado sua especificidade.
Criatividade/Ousadia
A cada ano, o Grito tem um lema nacional, que pode ser trabalhado regionalmente, a partir da conjuntura e da cultura local. As manifestações são múltiplas e variadas, de acordo com a criatividade dos envolvidos: caminhadas, desfiles, celebrações especiais, romarias, atos públicos, procissão, pré-Gritos, cursos, seminários, palestras, teatro, poemas, gincana…
Metodologia
O Grito não começa e nem termina no 7 de Setembro, porque não é um evento, mas um processo de reflexão e construção coletiva, que se dá durante todo ano.
Protagonismo dos Excluídos
É fundamental que os próprios/as excluídos/as assumam a direção do Grito em todas as fases – preparação, realização e continuidade, o que ainda é um horizonte a ser alcançado.
POR QUE O 7 DE SETEMBRO?
Desde 1995, o Grito dos/as Excluídos/as acontece no dia 7 de setembro, dia oficial da comemoração da independência do Brasil. Nada melhor do que esta data para refletir sobre a soberania nacional, que é o eixo central das mobilizações do Grito
ANO - 1995
A Vida em primeiro lugar
O lema do 1º Grito dos/as Excluídos/as: A Vida em primeiro lugar. A iniciativa surgiu das Pastorais Sociais em 1994, em vista da Campanha da Fraternidade, que apresentava o tema: “A fraternidade e os excluídos” e teve como símbolo uma panela vazia.
ANO - 1996
Trabalho e Terra para viver
Neste ano, o Grito passou a fazer parte do Projeto Rumo ao Novo Milênio, com a aprovação dos bispos do Brasil, em assembleia da CNBB. A Campanha da Fraternidade foi sobre política. As parcerias foram ampliando e passaram a integrar a coordenação nacional. O símbolo do Grito foi uma chave estimulando à reflexão de que o trabalho é a chave da questão social.
ANO -1997
Queremos justiça e dignidade
Acompanhando a Campanha da Fraternidade que refletiu a questão dos encarcerados e também acontecia a 3ª Semana Social Brasileira. (Resgate das Dívidas Sociais) O Grito refletiu para o quê e para quem você daria um cartão vermelho?
ANO - 1998
Aqui é o meu país
O Grito trabalhou o lema “Aqui é o meu país – A ordem é ninguém passar fome. O símbolo foi uma sacola vazia com os dizeres: “A ordem é ninguém passar fome”.
ANO - 1999
Brasil: um filho teu não foge à luta
Neste ano o Grito rompeu fronteiras e aconteceu, no mês de outubro, em vários países da América Latina e do Caribe. O símbolo foi a Carteira de Trabalho e teve o lançamento do Plebiscito sobre a dívida externa.
ANO - 2000
Progresso e Vida Pátria sem Dívida$ a independência, um Brasil com igualdade e justiça social.
Esse foi o primeiro plebiscito de iniciativa popular da história do Brasil.
ANO - 2001
Por amor a essa Pátria Brasil
O Orito enfoca a soberania e independência nacional. Frente à globalização da economia, propõe a globalização da solidariedade, no sentido de manter vivos e ativos os sonhos, esperanças e utopias. Também valoriza os tesouros da cultura popular, o protagonismo dos excluídos e resgata o amor ao Brasil, bem como a construção de um projeto popular para o Brasil.
ANO - 2002
Soberania não se negocia
O Grito aconteceu por ocasião da realização do Plebiscito Nacional contra a ALCA, em todo o Brasil. O Grito denunciou que a Pátria estava sendo negociada, na ALCA, sem o conhecimento do povo e do que estava sendo comprometido. Cada voto do plebiscito significou uma voz e um Grito.
ANO - 2003
Tirem as mãos… o Brasil é nosso chão
O Grito ecoa na defesa das riquezas naturais do Brasil e da vida dos brasileiros e brasileiras e na luta contra a ALCA, critica o FMI e a OMC. Também grita em defesa da vida e da população sufocada pela pobreza, desemprego, violência. Anuncia valores e caminhos novos em função da construção de uma sociedade nova.
ANO - 2004
Brasil: Mudança pra valer, o povo faz acontecer
O lema trouxe o desafio da articulação e construção coletiva do Brasil que queremos e que a mudança acontece com o povo organizado. Neste ano aconteceu o seminário de abertura da 4ª Semana Social Brasileira ‘Mutirão Por um Novo Brasil’. No mutirão por um novo Brasil é o povo que vai fazer a mudança acontecer..
ANO - 2005
Brasil: em nossas mãos a mudança
Como símbolo: a panela vazia. Ou seja, após tomarmos consciência dos direitos de cidadania, da necessidade de um novo rumo e da urgência das mudanças – trata-se agora de tomar o projeto em nossas próprias mãos.
Ano - 2006
Brasil: na força da indignação, sementes de transformação
Destacou-se os três ingredientes que formaram o conteúdo do lema: a força da indignação, as sementes e a transformação social, na busca da construção de uma pátria forte, justa e soberana.
ANO - 2007
Isto não Vale! Queremos Participação no destino da Nação
Nos leva a refletir o que vale e o que tem valor e o que não vale, o que não tem valor para a construção do projeto popular para o Brasil. E o desafio de realizar o Plebiscito Popular pela Anulação do Leilão da Vale, rediscutindo as privatizações e a redução das taxas de energia.
ANO - 2008
Direitos e participação popular
O grito traz a discussão sobre os nossos direitos sociais e a importância da nossa participação nos diversos espaços de organização da sociedade lutando e defendendo nossos direitos.
ANO - 2009
A força da transformação está na organização popular
O lema nos convoca e desafia a pensar e discutir com a sociedade atual a crise do capitalismo, que mais uma vez deixa a conta para os pobres pagarem, e a necessidade de construir um novo projeto de sociedade onde a dignidade da vida esteja em 1º lugar.
ANO – 2010
ONDE ESTÃO NOSSOS DIREITOS?
O lema nos chama a discutir dois pontos: a vida e os direitos. E a participação no Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, que pauta um dos temas cruciais para a construção de um verdadeiro Projeto Popular: a questão fundiária e agrária do
país.
ANO - 2011
Pela vida grita a TERRA… Por direitos, todos nós!
O lema nos chama a discutir em caráter nacional e global. O grande desafio é passar de um modelo de exploração, que visa tirar o máximo de lucro da natureza e da força humana, a um novo modelo de cuidado, preservação e cultivo da vida. Modelo que prima pela convivência justa, solidária e fraterna, em relações de convivência com as demais formas de existência, permitindo que a Terra se converta numa fonte perene de vida.
ANO – 2012
Queremos um estado a serviço da Nação que garanta direitos a toda populaçao.
A 18ª edição do Grito dos Excluídos nos convidou a debater o papel do Estado, que deve estar a serviço das necessidades básicas da população, um Estado que deve levar em conta os gritos que vem do chão, dos porões da sociedade, das ruas e campos, do cotidiano dos trabalhadores e suas famílias.
ANO - 2013
Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular
O lema nos insere nos debates da 5ª Semana Social Brasileira quem tem como tema Estado para que e para quem? Em sintonia com a Campanha da Fraternidade de 2013 – Fraternidade e Juventude..
ANO - 2014
Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos
Para 2014, o desafio é incorporar três temperos de uma mistura explosivamente positiva na construção de um projeto popular para o país – na linha dos debates da 5ª SSB, Estado para que e para quem?; CF- Fraternidade e Tráfico Humano. E parafraseando o clima de expectativa, em vista da Copa do Mundo e Olimpíadas, não basta assistir das arquibancadas o desenrolar do jogo, é necessário entrar em campo – “ocupar as ruas e praças” – e participar de forma, patrioticamente
ativa, nas decisões, sobretudo, para os direitos básicos da população de baixa renda: terra e trabalho, educação e saúde, transporte e segurança, alimentação de qualidade, entre outros.
ANO - 2015
Que país é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome?
O Grito se propôs a dialogar com a população, pautar as questões da violência, do extermínio da juventude negra e pobre, continuar o debate sobre o papel do Estado, da grande mídia e a democratização dos meios de comunicação. É necessário continuar a denunciar todas as injustiças e lutar por um futuro justo, solidário, sustentável e fraterno.
ANO -2016
Este sistema é insuportável. Exclui, degrada, mata!
O lema do Grito nasceu, este ano, a partir de uma afirmação do Papa Francisco. É notório que nos momentos de crise, seja política, econômico-social, que estes sistemas não suportam as mulheres, os pobres, os negros, os excluídos da sociedade. O lema perpassa, então, pelas várias crises, inclusive a humanitária. Cada vez mais se vive em guetos, se alimenta a intolerância, se destroem os valores humanos.
ANO - 2017
Por direitos e democracia, a luta é todo dia
O lema reforça o próprio caráter coletivo e contínuo do Grito, lembrando que a luta é todo dia. Faz parte de uma construção, de um processo de reflexão, formação, organização e mobilização popular na perspectiva de uma nova sociedade.
ANO -2018
Desigualdade gera violência: Basta de privilégios!
Este sistema não permite que a Vida esteja em primeiro lugar, porque privilegia o capital. Diante disso, o Grito se constitui em um espaço onde as pessoas se sintam capazes de lutar pela mudança, através da organização, mobilização e resistência popular.
ANO - 2019
”Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade”
O ano de 2019 foi marcado por uma conjuntura muito adversa para os pobres: retirada de direitos conquistados, aumento do desemprego, volta da fome, violência contra os menos favorecidos... Assim, o lema desta edição, mais uma vez, alerta para a insustentabilidade deste sistema.
ANO - 2020
”Basta de Miséria,Preconceito e Repressão Queremos Trabalho, Terra, Teto e Participação”
O ano de 2020 foi marcado pela crise mundial do Covid 19 colocou em questionamento toda a
desigualdade da organização social, política e econômica social do mundo, incluindo o Brasil. Nunca tivemos tanta convicção que “A vida
deve estar acima do mercado” e não o contrário. Nunca foi tão urgente a necessidade da humanidade repensar as opções escolhidas, em vista de um mundo sem exclusões e em sintonia com a Mãe Terra!
ANO - 2021
”Na Luta por participação popular. Saúde,Comida,,Moradia,Trabalho e Renda Já”
Desde 2020, a humanidade tem sofrido impacto do vírus da Covid 19. As sociedades com maior concentração de renda e menos solidariedade em suas estruturas penalizaram os mais pobres e geraram mais mortes. Infelizmente, é o caso do Brasil, o qual, podemos dizer, que ainda não é um país independente, embora se comemore o contrário.
Felizmente, nosso povo deu sinais de sua capacidade de mobilização e organização: foi à luta, resistiu, praticou a solidariedade. As organizações, comunidades, pastorais, fortaleceram suas articulações e suas incidências políticas. VIVA O SUS.
ANO - 2022
”BRASIL: 200 Anos de (IN)Dependência. Para Quem?”
Neste longo período de Covid, a humanidade teve avanços e retrocessos e a articulação do Grito dos Excluídos e Excluídas manteve seu compromisso com as populações empobrecidas, discriminadas, perseguidas e reprimidas, pois é justamente delas que nasce o Grito.
Não um grito para reforçar a situação de vítima. Pelo contrário! Um Grito da “Vida em Primeiro Lugar”, que não aceita qualquer forma de escravidão e submissão. Por esse motivo, é que questionamos: “Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?”
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